Vasalisa pergunta sobre os homens a cavalo que viu enquanto procurava o caminho até o casebre da Baba Yaga: o homem de branco no cavalo branco, o de vermelho no cavalo vermelho e o de negro no cavalo negro.

A Yaga, como Deméter, é uma velha deusa mãe-de-cavalos, associada à força da égua, bem como à sua fecundidade. O casebre de Baba Yaga é uma cocheira para os cavalos multicores e para seus cavaleiros. São eles que puxam o sol para que cruze os céus durante o dia, e que puxam a cortina das trevas para encobrir o céu à noite. Mas não é só isso. Os cavaleiros de negro, de vermelho e de branco simbolizam as antigas cores associadas ao nascimento, à vida e à morte. Essas cores também representam velhas idéias de descida, morte e renascimento — o negro significando a dissolução de antigos valores; o vermelho, o sacrifício de ilusões mantidas anteriormente; e o branco, a nova luz, o novo conhecimento que deriva de ter vivenciado as duas primeiras cores. Os velhos termos usados nos tempos medievais são nigredo, negro; rubedo, vermelho; albedo, branco. Eles descrevem uma alquimia que segue o trajeto da Mulher Selvagem, o trabalho da mãe da vida-morte-vida.

Comentários

  1. Sem os símbolos do
    amanhecer, da luz que sobe e da escuridão misteriosa, ela não seria quem ela é. Sem o
    brotar da esperança nos nossos corações, sem uma luz permanente — não importa se
    de uma vela ou de um sol — a discriminar isso daquilo nas nossas vidas, sem uma
    noite a partir da qual tudo pode ser amenizado, a partir da qual tudo pode nascer, nós
    também não teríamos nada a aproveitar da nossa natureza selvagem.
    As cores da história são extremamente preciosas pois cada uma tem seu lado
    de morte e seu lado de vida. O negro é a cor da lama, da fertilidade, da substância
    básica na qual semeamos nossas idéias. No entanto, o negro é também a cor da
    morte, do escurecimento da luz. O negro tem ainda um terceiro aspecto. Ele é a cor
    associada àquele mundo entre os mundos no qual se baseia La Loba — pois o negro é
    a cor da descida. O negro é uma promessa de que você logo irá saber algo que antes
    não sabia.
    O vermelho é a cor do sacrifício, da fúria, de matar e de ser morto. No entanto,
    o vermelho é também a cor da vida vibrante, da emoção dinâmica, da excitação, de
    eros e do desejo. É uma cor considerada um poderoso medicamento para as
    enfermidades psíquicas, uma cor que desperta o apetite. No mundo inteiro existe
    uma figura conhecida como a mãe vermelha.2 5 Ela não é tão conhecida quanto a
    madona ou mãe negra, mas é a guardiã das “coisas que passam”. Suas graças são
    especialmente procuradas por quem está para dar à luz, pois quem quer que deixe
    este mundo ou que nele entre precisa atravessar seu rio vermelho. O vermelho é uma
    promessa de que uma ascensão ou um nascimento está por acontecer.
    O branco é a cor do novo, do puro, do imaculado. É também a cor da alma livre
    do corpo, do espírito desembaraçado do físico. É a cor da nutrição essencial, do leite
    materno. Por outro lado, ele é a cor dos mortos, daquilo que perdeu seu tom rosado, o
    rubor da vitalidade. Quando surge o branco, tudo fica, temporariamente, tabula rasa, sem nenhuma inscrição. O branco é uma promessa de que existe nutrição suficiente
    para que tudo comece de novo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A vida de Vasalisa é revitalizada pela boneca e pelo seu encontro com Baba Yaga.

A sexta tarefa — Separar isso daquilo

A oitava tarefa — De pé nas quatro patas