Essa luz pode discriminar camadas distintas da personalidade, das intenções e das motivações nos outros. Ela pode determinar o consciente e o inconsciente em nós mesmas e nos outros. É a varinha de condão do conhecimento. É o espelho no qual se pressente tudo. É a profunda natureza selvagem.
Não obstante, há horas em que suas informações são dolorosas e quase insuportáveis; pois a caveira aponta para o lugar onde se trama a traição, onde a coragem falta àqueles que dizem o contrário. Ela denuncia a inveja oculta como gordura fria por trás de um sorriso de carinho. Ela indica os olhares que são meras máscaras para a aversão. No que diz respeito a nós mesmas, sua luz brilha com a mesma intensidade: ela ilumina nossos tesouros bem como nossas fraquezas.
São esses conhecimentos que são mais difíceis de encarar. É nesse ponto que sempre temos vontade de jogar fora essa maldita perspicácia nossa. É aí que, se não quisermos ignorá-la, sentimos uma força poderosa proveniente do Self, dizendo, “Não me jogue fora. Fique comigo. Vai ser bom para você.”

Enquanto Vasalisa avança floresta adentro, ela sem dúvida está pensando
ResponderExcluirtambém na família da madrasta, que perversamente a mandou sair para a morte; e,
muito embora ela própria tenha um coração generoso, a caveira não é generosa. Sua
função é a de ter plena visão. Por isso, quando Vasalisa quer se desfazer dela,
sabemos que a menina está pensando na dor provocada por se ter conhecimento de
determinadas coisas a respeito de nós mesmas, a respeito dos outros e da natureza do
mundo.