Embora a Yaga seja capaz de dar o sopro da vida a um filhote de camundongo com uma ternura infinita, ela prefere não se aproximar demais da doçura e da luz. Isso ela deixa nas mãos da psique pessoal.

Nesse sentido, pode-se dizer que ela sabe muito bem ficar no seu lugar. Seu lugar é o mundo subterrâneo da psique. O lugar da mãe-boa-demais é o mundo da superfície. Embora a doçura tenha condição de se adaptar ao mundo selvagem, o mundo selvagem não consegue ficar muito tempo restrito aos limites da doçura. Quando a mulher integra esse aspecto da Yaga, ela deixa de aceitar sem questionamento cada sugestão, cada farpa, qualquer coisa que lhe apareça pela frente. Para conquistar um distanciamento mínimo da carinhosa bênção da mãe-boademais, a mulher aos poucos aprende não só a olhar, mas a fixar os olhos e vigiar com atenção, e cada vez mais a não ter paciência com gente enfadonha.

Comentários

  1. Tendo criado, através de sua experiência de servir à Yaga, uma capacidade
    interior que antes não possuía, Vasalisa recebe uma parte do poder selvagem da
    Deusa Megera. Algumas mulheres receiam que esse profundo conhecimento por
    meio do instinto e da intuição irá torná-las irresponsáveis ou desmioladas, mas esse é
    um medo infundado.
    Vale o contrário. A falta de intuição, a falta de sensibilidade para com os ciclos
    ou a negação a seguir o próprio conhecimento dão origem a escolhas que acabam se
    revelando infelizes e até mesmo desastrosas. Com maior freqüência, esse tipo de
    conhecimento da Yaga impulsiona as mulheres com movimentos mínimos, e com
    freqüência ainda maior fornece orientação ao proporcionar imagens nítidas do “que
    está por trás ou por baixo” das motivações, idéias, atos e palavras dos outros.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A vida de Vasalisa é revitalizada pela boneca e pelo seu encontro com Baba Yaga.

A sexta tarefa — Separar isso daquilo

A oitava tarefa — De pé nas quatro patas