A primeira tarefa — Permitir a morte da mãe-boa-demais

No início do conto, a mãe está morrendo e deixa para a filha um legado importante. As tarefas psíquicas desse estágio na vida da mulher são as seguintes: aceitar o fato de que a mãe psíquica protetora, sempre vigilante, não é adequada para ser um guia para a futura vida instintiva da pessoa (a mãe-boa-demais morre). Assumir a realidade de estar só, de desenvolver a própria conscientização quanto ao perigo, às intrigas, à política. Tornar-se alerta sozinha, para seu próprio proveito; deixar morrer o que deve morrer. À medida que a mãe-boa-demais morre, a nova mulher nasce.

Comentários

  1. Na história, o processo de iniciação começa quando a mãe boa e amada morre.
    Ela não está mais lá para afagar o cabelo de Vasalisa. Na vida de todas nós, como
    filhas, surge uma hora em que a boa mãe da psique — aquela que nos serviu de modo
    correto e adequado em tempos passados — transforma-se numa mãe-boa-demais,
    aquela que, em virtude dos seus valores de proteção, começa a nos impedir de reagir
    a novos desafios e, portanto, de atingir um desenvolvimento mais profundo.
    No processo natural do amadurecimento, a mãe-boa-demais deve se tornar
    cada vez mais rarefeita, deve definhar até que nos descubramos sós para cuidar de
    nós mesmas de um novo modo. Embora sempre mantenhamos uma essência do seu
    carinho, essa transição psíquica natural nos deixa sós num mundo que não é
    maternal conosco.

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