A boneca assemelha-se ao passarinho dos contos de fadas que vem sussurrar no ouvido da heroína. Ele é quem revela o inimigo oculto e a atitude a tomar diante da situação. Essa é a sabedoria do homunculus, o pequeno ser interior. Ele é a ajuda que nem sempre está visível, mas que está sempre disponível
Não há bênção maior que uma mãe possa dar à filha do que uma confiança na
veracidade da sua própria intuição. A intuição é transmitida de pai para filho da
forma mais simples. “Você tem um bom raciocínio. O que você acha que está por trás
disso tudo?” Em vez de definir a intuição como alguma peculiaridade irracional e
censurável, ela é definida como a fala da verdadeira voz da alma. A intuição prevê a
direção mais benéfica a seguir. Ela se autopreserva, capta os motivos e intenções
subjacentes e opta pelo que irá provocar o mínimo de fragmentação na psique.


O processo é o mesmo no conto de fadas. A mãe de Vasalisa proporcionou um
ResponderExcluirenorme privilégio à sua filha ao vincular a boneca a Vasalisa. O vínculo com nossa
própria intuição propicia uma confiante dependência que resiste a tudo. Ele muda a
diretriz da mulher de uma atitude de “o que será, será” para uma de “quero ver tudo o
que há para ser visto”.
O que essa intuição selvagem faz pelas mulheres? Como o lobo, a intuição tem
garras que abrem as coisas e as sujeitam; ela tem olhos que enxergam através dos
escudos da persona; ela tem ouvidos que ouvem sons fora da capacidade de audição
do ser humano. Com essas espantosas ferramentas psíquicas, a mulher assume uma
consciência animal9 astuta e até mesmo premonitória, que aprofunda sua
feminilidade e aguça sua capacidade de se movimentar com confiança no mundo
exterior.