A alimentação da boneca é um ciclo essencial da Mulher Selvagem — aquela que é a guardiã de tesouros ocultos. Vasalisa alimenta a boneca de duas formas. Primeiro, ao lhe dar um pedacinho de pão — um pouco de vida para essa nova aventura psíquica; e, em segundo lugar, ao encontrar o caminho até a Velha Mãe Selvagem, a Baba Yaga, seguindo o que lhe diz a boneca... A cada curva e a cada bifurcação da estrada, a boneca mostra qual é o caminho para "casa".

O relacionamento entre a boneca e Vasalisa simboliza uma forma de magia empática entre a mulher e a intuição. É isso o que deve passar de mulher para 69 mulher, essa atividade abençoada de se vincular à intuição, de testá-la e de alimentála. Nós, à semelhança de Vasalisa, fortalecemos nossos laços com nossa natureza intuitiva quando prestamos atenção à voz interior a cada curva da estrada. “Devo ir para esse lado ou para o outro? Devo ficar ou partir? Devo resistir ou ser flexível? Devo fugir disso ou correr na sua direção? Essa pessoa, esse acontecimento, essa empreitada, é verdadeira ou falsa?”

Comentários

  1. O rompimento do vínculo entre a mulher e sua intuição selvagem é muitas
    vezes encarado erroneamente como se a própria intuição é que estivesse destruída.
    Não é o que ocorre. Não foi a intuição que se partiu, mas, sim, a bênção matrilinear
    da intuição, a transmissão da confiança intuitiva de todas as mulheres de uma
    linhagem, que já se foram, para aquela mulher específica — é esse longo rio de
    antepassadas que foi represado. A compreensão da mulher da sua sabedoria
    intuitiva pode ser fraca em conseqüência do rompimento, mas com exercício ela
    poderá se restaurar e se manifestar em sua plenitude. As bonecas servem de
    talismãs. Os talismãs são lembretes do que é sentido, mas não visto; do que existe,
    mas não é de evidência imediata. O numen talismânico da boneca é o que nos
    recorda, o que nos diz, o que vê adiante de nós. Essa função intuitiva pertence a todas
    as mulheres. É uma receptividade maciça e fundamental. Não uma receptividade do
    tipo alardeado no passado pela psicologia tradicional, que é como um recipiente
    passivo; mas, sim, uma receptividade como a da posse de acesso imediato a uma
    sabedoria profunda que atinge as mulheres até os próprios ossos.

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