Cerzideiras, aquelas que recompõem fio por fio, fibra por fibra, a poesia dos tecidos.

Costurar é ofício, cerzir é arte. Antigamente, as cerzideiras eram poucas, quase raras. Senhoras antigas, donas de um saber delicado, como a ternura. Para mim, mais que raras, eram inalcançáveis, as mulheres dedicadas ao cerzimentoeram comparadas às fiandeiras míticas, aquelas que teciam, esticavam, e depois cortavam o fio da vida. Mas as fiandeiras são trágicas, definitivas, fatais. O fio da vida não se recompõe. Mas, enquanto há vida… As cerzideiras simbolizam a continuação e a esperança. As cerzideiras também são símbolos de paciência, de busca da perfeição, mesmo para quem nunca se recompõe de nada e apenas segue pela vida, carregando histórias e engramas. Mesmo para quem rasga o tecido, tão logo veja nele sinais de esgarçadura. Elas são as amenizadoras, as calmantes.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A vida de Vasalisa é revitalizada pela boneca e pelo seu encontro com Baba Yaga.

A sexta tarefa — Separar isso daquilo

A oitava tarefa — De pé nas quatro patas